Quando ser madrasta começa a pesar: você está cuidando de todos e esquecendo de si?

Em algum momento, algumas madrastas percebem que estão cansadas — e o cansaço nem sempre aparece como cansaço.

Em algum momento, algumas madrastas percebem que estão cansadas. Não necessariamente da criança. Não necessariamente do companheiro. Mas da quantidade de coisas que precisam administrar emocionalmente: entender todo mundo, evitar conflitos, pensar antes de falar, tentar agradar, ser compreensiva, aceitar mudanças de planos, lidar com a ex, acompanhar a rotina, manter o relacionamento — e ainda continuar sendo mulher, profissional, amiga, filha e tantas outras coisas.

O cansaço nem sempre aparece como cansaço

Às vezes ele aparece como irritação, impaciência, vontade de ficar sozinha, falta de desejo, apatia, choro, sensação de estar fazendo tudo e ninguém perceber. A mulher pode pensar: "eu não era assim antes." Talvez exista algo importante para escutar nessa mudança.

Cuidar não significa estar disponível o tempo inteiro

Uma das confusões frequentes dentro das relações familiares é imaginar que amar significa estar sempre disponível. Mas ninguém consegue sustentar isso indefinidamente. A madrasta pode precisar de momentos que não tenham relação com a família: sair, viajar, encontrar amigas, trabalhar, ter seus projetos, ficar sozinha, dormir, não fazer nada. Isso não significa abandonar ninguém — significa continuar existindo para além da função que ocupa dentro da família.

Quando a mulher começa a desaparecer

Existe uma pergunta importante: "quem eu era antes de precisar dar conta de tudo isso?" Não para voltar a ser exatamente quem era, mas para lembrar que existe uma pessoa além da função de companheira ou madrasta. Quando toda a identidade passa a girar em torno da família, qualquer conflito familiar pode parecer uma ameaça à própria identidade — e talvez seja por isso que algumas situações pequenas provoquem emoções tão grandes.

O cuidado não pode ser unilateral

Uma família saudável não depende de uma única pessoa emocionalmente responsável por tudo. O companheiro também precisa participar. Os adultos precisam conversar. As responsabilidades precisam ser compartilhadas. E a madrasta precisa poder dizer quando não consegue ou não quer assumir determinada função.

Você pode amar e ainda precisar de espaço

Essa talvez seja uma das frases mais importantes para a madrasta guardar: amor não elimina necessidade de espaço. Você pode amar seu companheiro e precisar de uma noite sozinha, pode gostar do enteado e não querer participar de todas as atividades, pode desejar uma família e ainda sentir falta da sua individualidade. As contradições fazem parte da experiência humana.

"Antes de perguntar 'o que mais eu poderia fazer pela minha família?', experimente perguntar: 'o que eu estou precisando e não estou conseguindo dizer?'"

Cuidar da própria existência não é deixar de cuidar dos outros. É lembrar que você também está dentro da família que está tentando construir.

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